Bovinos de Corte

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Home - Rações Comerciais - Bovinos de Corte - Artigos




Informações importantes e úteis
para você entender ainda mais
sobre nutrição animal.


Uso de suplementos para bovinos em pastejo

Nos últimos anos, o Brasil deixou de ser um mero coadjuvante no grupo dos exportadores de carne bovina, para se tornar o maior exportador mundial. O ano de 2007 demonstra que mês após mês superamos recordes de vendas mensais em relação ao mesmo mês do ano anterior, tendência constante nos últimos anos, sinalizando um novo recorde anual com um volume de produto exportado (toneladas de equivalente carcaça) e volume financeiro (agregação de valor), nunca imaginados em nosso meio.
Se por um lado somos um grande exportador, de outro, não somos o maior produtor de carne bovina no mundo. Esta posição de liderança no quesito produção é dos Estados Unidos, que atinge volumes de produção acima dos brasileiros com um rebanho formado pela metade de nossos números (100 vs 200 milhões de bovinos).
Tal façanha, atingida pelos norte-americanos explica-se pelo sistema de produção adotado no país, onde ocorre a supressão da recria. Os bezerros recém desmamados são praticamente levados para dentro de um curral de confinamento, onde estes animais após um período curto de adaptação, são desafiados ao limite, com dieta formulada contendo elevados níveis de grãos e subprodutos da agroindústria. Dentre estes subprodutos destacamos os DDGs (destiled dried grains), ou melhor resíduo obtido da produção de etanol a partir da fermentação de grãos principalmente o milho, além de outros como a casca de soja, a casca de algodão e o farelo de glúten de milho 21, além dos farelos protéicos como o farelo de soja e o farelo de algodão.
No Brasil, o uso da tecnologia de terminação de bovinos em confinamento, intensifica-se a cada ano nas últimas duas décadas. No entanto, foram nos últimos cinco a dez anos que foram implantados e consolidados a maioria dos projetos de grande escala com capacidade para engorda de mais de 10.000 animais por ciclo.
Com o aumento da capacidade de alojamento destes projetos fomos expostos à necessidade de reduzirmos a participação de alimentos volumosos nas dietas formuladas para terminação dos animais, devido a grande dificuldade de se obter quantidades elevadas destes alimentos. Além disso, nos últimos anos, o desenvolvimento da agricultura brasileira permitiu um aumento na produção e oferta de grãos e resíduos agroindustriais, capaz de sustentar a maior demanda por alimentos concentrados destes projetos. Pouco a pouco o Brasil avança na direção adotada pelos norte americanos. Atualmente o custo da unidade de energia para engorda de animais confinados é mais barata quando originada de grãos ou resíduos agroindustriais como a polpa cítrica, casca de soja, caroço de algodão, gérmen de milho, farelo de glúten de milho 21 e farelos protéicos como os de soja, algodão e amendoim.
No entanto dos 44 milhões de bovinos abatidos por ano em nosso país, estima-se que apenas 2,5 milhões são animais confinados, ficando 41,5 milhões de animais que são terminados em pastagens, recebendo apenas uma parte desses animais algum tipo de ração concentrada (ANUALPEC, 2007). Estima-se que do total de 41,5 milhões de bovinos terminados em pastagens, ao redor de 2,5 milhões de animais sejam suplementados com 0,8 a 1,5% de seu peso vivo com alimentos concentrados (ANUALPEC, 2007), por aproximadamente 60 a 90 dias no final do ciclo de produção, ou seja, 60 a 90 dias antes do abate em sistemas de semiconfinamento.
Observa-se desta forma que nossos sistemas de produção ainda são baseados na produção de carne bovina em pastagens, inclusive durante a cria e recria dos animais que são terminados em confinamento.

2. Produção de bovinos em pastagens

A dimensão continental de nosso país com a maioria de nossa extensão territorial composta por terras agricultáveis, com condições climáticas e edáficas que permitem o estabelecimento e manejo de pastagens cultivadas, nos posiciona como o país de maior potencial forrageiro na atualidade. No entanto mesmo pastagens bem estabelecidas e bem manejadas (minoria em nosso país), são insuficientes para atender a demanda por nutrientes das todas as categorias de bovinos ao longo do ano.



O desempenho animal em pastagens é limitado basicamente por dois grupos de fatores: a) fatores não nutricionais e b) fatores nutricionais. Na figura 01 podemos visualizar a ação destes dois grupos de fatores.
O grupo de fatores não nutricionais, por estarem relacionados às características estruturais das pastagens, apresentam-se em primeira instância no controle do desempenho animal. Neste grupo podemos citar: a altura da pastagem (cm), a quantidade de folhas (kg.ha-1), a quantidade de matéria seca total (kg.ha-1), peso dos perfilhos, quantidade matéria seca residual após o pastejo (kg.ha-1), altura da pastagem após o pastejo (cm), participação de folhas (%) na forragem acumulada antes e após o pastejo dos animais. Observa-se que os fatores estruturais relacionam-se à quantidade de forragem presente no pasto, mas principalmente à facilidade de apreensão pelos animais, de forma que o ritmo de pastejo seja suficiente para garantir um consumo mínimo de forragem, sem o mesmo limitar o desempenho animal.
Os fatores classificados como nutricionais relacionam-se à composição químico/bromatológica da planta forrageira. Dentre estes podemos citar o teor de parede celular (FDN-fibra em detergente ácido), teor de proteína bruta, conteúdo de minerais como fósforo e o enxofre, importantes para a nutrição e eficiência de digestão da fibra pelos microrganismos ruminais.
As exigências dos nutrientes minerais e de proteína para os bovinos em pastejo são definidas a partir do desempenho proporcionado pela ingestão de energia digestível, que por sua vez é um produto da ingestão de matéria seca da forragem (kg.dia-1) e da digestibilidade da mesma (% NDT). A ingestão de energia digestível (ED) pode ser representada pela seguinte equação:


Ing. ED = IMS (kg.dia-1) X % NDT



Estudos demonstram que ações no primeiro componente da equação (IMS) apresentam resultados mais intensos do que no segundo, demonstrando a importância da disponibilidade da forragem em detrimento da qualidade. No entanto a desatenção sobre o segundo item da equação (% de NDT) não maximiza os resultados produtivos de bovinos manejados em pastagens. Desta forma o manejo das pastagens deve se concentrar no momento ideal de entrada dos animais na pastagem, onde haja disponibilidade de forragem com qualidade.
Como relatado acima, a base para o sistema de produção em pastagens é o próprio pasto. Entretanto a suplementação da forragem consumida é fator determinante do potencial produtivo dos animais em pastejo.
As plantas forrageiras apresentam exigências minerais diferentes dos animais que as pastejam, absorvem elementos minerais do solo para atender suas demandas ao longo das estações do ano, em detrimento do atendimento da exigência dos animais que as pastejam. Desta forma o conhecimento das exigências das diferentes categorias animais, em conjunto com a compreensão da fisiologia de crescimento e o conhecimento dos níveis de nutrientes destas plantas, permite o desenvolvimento de suplementos e o planejamento de um programa de suplementação ao longo do ano para as diferentes categorias de bovinos. Para se ter uma idéia da importância destas diferenças entre animais e plantas, podemos comparar dois elementos minerais: o boro e o cobalto.
Plantas forrageiras geralmente não apresentam limitações ao seu desenvolvimento se crescerem em solo ou meio de cultivo sem cobalto, demonstrando a pequena importância deste elemento para os estas espécies. Quanto ao boro, a ausência deste elemento ou até baixos níveis no solo ou meio de cultivo, poderá limitar a produção e/ou sanidade de plantas forrageiras. Para os animais o inverso é verdadeiro com relação ao cobalto. Sabemos que a ausência de cobalto na dieta de animais ruminantes limita o desempenho produtivo.
Nas águas quando as condições de crescimento são ideais a limitação de desempenho animal fica definida pela ingestão de minerais e de proteína bruta em alguns casos.
Na seca o principal limitante ao desempenho de animais ruminantes é a ingestão de proteína bruta pelos animais, que é comprometida pelo baixo teor de proteína na matéria seca das plantas forrageiras diferidas (vedadas) para uso na seca. Neste período o fornecimento de proteína através do suplemento, tem como objetivo a correção dos níveis de nitrogênio disponível aos microorganismos ruminais, favorecendo a digestão da forragem, promovendo aumento de consumo de matéria seca da pastagem. A combinação de efeitos sobre a digestão e consumo de forragem, eleva o consumo de energia digestível, revertendo a perda de peso corporal para ganhos de peso moderados no período da seca.

3. Estacionalidade de produção das plantas forrageiras

As espécies forrageiras tropicais destacam pela elevada produção de matéria seca quando comparadas às plantas forrageiras de ambiente temperado. No entanto, mesmo nos trópicos, onde a variação de temperatura entre estações é mais suave, esta variação juntamente com o menor foto período e pluviosidade, reduzem em 80 a 90% o crescimento das pastagens nas estações do outono/inverno. Sendo assim o consumo de forragem no inverno depende da forragem produzida no verão e acumulada para ser consumida na seca (outono/inverno). A figura 02 representa o crescimento estacional das pastagens nos trópicos.



Figura 02. Curva de crescimento das plantas forrageiras (linha cinza) e da demanda por forragem para atendimento das exigências de vacas de corte (linha preta).



Assim, a forragem disponível para os animais ruminantes manejados em pastagens no inverno, é composta em sua maioria, por pastagem que foi produzida no verão e início do outono, para ser utilizada no outono, inverno e início da primavera.



4. Suplementação de bovinos para correção do valor nutritivo das pastagens tropicais


A necessidade de correção das deficiências minerais impostas pelas plantas forrageiras consumidas por ruminantes em pastejo é reconhecida mundialmente á muitos anos. Neste tempo todo várias formas de se corrigir estas deficiências foram testadas e estudadas, desde a adubação das pastagens com elementos deficientes, até a injeção dos elementos nos animais.
Entretanto a correção através da adubação demonstrou-se ineficiente devido à complexa interação solo x planta x animal. Além disso, as necessidades nutricionais das plantas nem sempre coincidem com a dos animais. Por outro lado, a injeção dos elementos minerais sobrepõe-se a interação solo x planta x animal, mas causa transtornos significativos de manejo, inviabilizando a sua utilização em larga escala para a maioria das situações brasileiras.
Assim, o suo de suplementos minerais e protéico/minerais em cochos apropriados instalados nas pastagens, constitui-se a forma mais prática e mais utilizada no mundo, para correção das deficiências minerais nas águas e deficiências minerais/protéicas na seca, para animais manejados em pastagens (MANZANO et al. 2006).


4.1 Primavera

Nos meses de primavera (outubro a dezembro) quando não há limitações climáticas ao crescimento das pastagens, temos a oportunidade de ofertar aos animais forragens de bom valor nutritivo, na maioria das vezes deficiente em elementos minerais como fósforo, cobre, zinco, cobalto, selênio etc. Nesta época entretanto o teor de proteína bruta geralmente é elevado, superior a exigência animal em algumas situações, não sendo limitante à produção de ruminantes. Este período caracteriza-se por pastagens com pequeno acúmulo de material morto, permitindo que a planta vegete sem interferência da sombra provocada por material acumulado no crescimento anterior. Isto porque quase toda a forragem acumulada no verão anterior foi consumida pelos animais na seca ou então senesceu e foi degradada junto ao solo. Esta primeira fase da estação de crescimento é caracterizada por forragem tenra com alto valor nutritivo, elevado acúmulo de água, elevados teores de alguns minerais, como o potássio, e com elevado teor de nitrogênio, dependendo da fertilidade do solo e do manejo aplicado sobre estas pastagens.
Nesta primeira fase existe a necessidade de suplementação apenas de elementos minerais às diferentes categorias de bovinos com atenção especial para o nível de fósforo dos suplementos. Vacas em período de cobertura, com bezerros ao pé e/ou no terço final da gestação necessitam de suplementos com no mínimo 8% de fósforo em sua formulação. Atualmente. o pecuarista encontrará no mercado produtos com 8 a 10% de fósforo. A escolha por um ou outro teor de fósforo, dependerá do conhecimento do nível de fósforo no solo e consequentemente na planta forrageira. Sistemas de cria em áreas com deficiência acentuada de fósforo no solo, geralmente adotam produtos com 9 a 10% de fósforo. Por outro lado sistemas manejados sobre solos corrigidos, com uso da tecnologia de adubação de pastagens, suplementos com 8% de fósforo atendem bem a demanda das matrizes. Quando há dúvida ou dificuldade de definição em relação ao perfil da área de pastagem, um suplemento com 9% de fósforo deve ser a escolha, até que maiores informações sejam obtidas ou ações de manejo sejam implementadas.
Para as outras categorias como a recria e engorda, indica-se suplementos com 6 a 6,5% e 4 a 4,5% de fósforo respectivamente, em áreas com fertilidade moderada. No entanto em áreas com baixa fertilidade natural do solo, alguns técnicos indicam suplementos com 8% de fósforo para animais em recria e suplementos com 6 a 6,5% de fósforo para animais em engorda. Quando o inverso ocorre, pastagens manejadas intensivamente estabelecidas em solos corrigidos e adubadas, o uso de suplementos com 4 a 4,5% de fósforo pode ser viabilizado para animais em recria e engorda. Teores menores que 4% de fósforo em suplementos minerais não são possíveis de serem utilizados, uma vez que a legislação impede a produção e comercialização de suplementos com níveis inferiores a 4%.
Quanto aos microelementos minerais como o cobre, zinco, cobalto selênio, iodo etc..., os suplementos são formulados para atenderem 100% das exigências destes elementos, desconsiderando o teor dos elementos nas plantas, fato que não ocorre com o fósforo e outros macro elementos. No entanto alguns destes elementos chegam a atender até 150% das exigências em alguns suplementos, provocando o desperdício do elemento. Como exemplo, podemos citar o caso do zinco, que com níveis entre 3500 a 4000 mg .kg-1 atenderia a exigência de todas as categorias de bovinos em pastagens. Entretanto alguns suplementos disponíveis no mercado trabalham com 5500 a 6000 mg.kg-1.


4.2 Verão

À medida que o período das águas avança e inicia-se o verão, dependendo do manejo aplicado pelo pecuarista, ocorre maior acúmulo de forragem nas pastagens. Isto, porque a maioria dos sistemas de produção de bovinos em pastagens de nosso país, desenvolve-se com lotações abaixo do suporte para o período das águas, na tentativa de manutenção do meristema apical das plantas e elevado índice de área foliar (IAF) residual (CORSI et al. 1993).
Nestes sistemas quando há acúmulo mínimo de forragem (acima de 2000 kg de MS/ha), o manejo é caracterizado por pastejo leniente com sub-lotação animal. Esta forma de manejo caracteriza-se por permitir pastejo de desponte, deixando uma grande quantidade de massa forrageira no “stand”. Esta conduta propicia a rápida eliminação dos meristemas apicais das plantas no início do verão (meio da estação chuvosa), de forma que do meio da estação de crescimento em diante, a planta forrageira tem sua capacidade de desenvolvimento restrita apenas aos pontos de crescimento posicionados na base da touceira (CORSI, 1986). Nessa situação os pontos de brotação, devido ao sombreamento exercido pela arquitetura foliar residual, apresentam baixa taxa de emissão de novos tecidos (HUMPHREYS, 1991; CORSI & NASCIMENTO JÚNIOR, 1994).
Com esse manejo a forragem presente nas pastagens fica constituída por tecidos “velhos” e senescentes, com baixa proporção de folhas verdes e apresentando um valor nutritivo inferior, principalmente quando avaliamos o teor de proteína bruta na matéria seca.
Nessa situação, o uso de suplementos protéicos minerais demonstra resposta positiva. O teor de proteína bruta nestes suplementos deve variar entre 20 e 30%, com os produtos desenhados para serem consumidos de 0,1 a 0,2% do peso vivo, de forma que o animal consuma de 60 a 180 gramas de proteína por dia, dependendo do nível de consumo do suplemento e da categoria animal suplementada. Nestes suplementos aproximadamente 20 a 40% do total de proteína bruta poderá ser de fontes de nitrogênio não protéico como a uréia.
Por outro lado, pastagens manejadas intensivamente de forma rotacionada, com uso moderado a alto de adubação nitrogenada, apresentam elevados índices de renovação tecidual, uma vez que suportam uma taxa de desfolha mais intensa (DA SILVA, 2004). A definição do resíduo pós pastejo adequado, consistente com níveis satisfatórios de desempenho animal e de utilização da forragem, e ainda, com ajustes na taxa de lotação e do intervalo de pastejo, ao mesmo tempo que se atinge a meta estabelecida para as condições da pastagem (geralmente altura), favoreceria não só o uso ótimo da forragem, mas também o aproveitamento do melhor valor nutritivo da forragem.
Nestes sistemas, devido a elevada taxa de renovação tecidual das plantas forrageiras, os animais consomem forragem com níveis de proteína bruta, acima de 10% com alta degradabilidade ruminal, e bom valor nutritivo. Nesse caso a suplementação alimentar com alimentos concentrados (proteína e/ou energia) deverá ser considerada, apenas quando desejamos maximizar o ganho de peso dos bovinos, e devemos considerar a relação custo:benefício para que o potencial de desempenho animal seja atingido.
A recuperação do investimento feito em alimentos concentrados deve ser rápida, exigindo que na próxima seca os animais suplementados sejam confinados para acelerar o momento do abate e conseguir preços de venda da arroba melhores no pico da entressafra conforme exposto por SANTOS et al. (2007).
Quando o confinamento não for possível, a utilização de suplementos formulados exclusivamente com minerais é mais indicado, respeitando-se os níveis de fósforo dos produtos para cada categoria animal presente nestes sistemas de produção intensivos, conforme descrito no item 4.1 desde texto. Na escolha do suplemento mineral devemos considerar o maior teor de fósforo na forragem, causado pela correção do solo e pela reposição via adubação deste elemento.


4.3 Outono

No período do outono a produção de novos tecidos fica mais limitada ainda em pastagens manejadas de forma extensiva, e uma perda de valor nutritivo mais intensa, se inicia com o final da estação de crescimento. Umidade, luz e temperatura atuam de forma intensa limitando a produção de tecidos jovens em pastagens manejadas com elevado índice de área foliar residual. Neste período uma parte dos animais que vinham sendo manejados em sistemas adubados e rotacionados, começam a ser transferidos para áreas diferidas (vedadas) ou áreas que vinham sendo manejadas com sub-lotação.
Para os animais manejados nestas áreas, recomenda-se a utilização de suplementos minerais protéicos, com no mínimo 30% de proteína bruta, formulados com até 66% do equivalente protéico, com fontes de nitrogênio não protéico. Este tipo de suplemento é indicado para ser utilizado no período do ano compreendido entre os meses de abril e junho, quando a relação NDT:PB é maior do que 7 (NDT:PB > 7).


4.4 Inverno

À medida que a estação seca avança, com o início do inverno no final do mês de junho, a redução no teor de PB da matéria seca da forragem diferida é mais intensa. A relação NDT:PB aumenta mais ainda do que 7, devido a redução no teor de nitrogênio nos tecidos aéreos da planta forrageira.
Neste momento há a necessidade de se elevar o nível de proteína bruta dos suplementos a um mínimo de 40%. Os produtos indicados para esta época do ano devem ser formulados com 40 a 50% de proteína bruta, com no máximo 66% do equivalente protéico originado de fontes de nitrogênio não protéico. Estes produtos são formulados para consumo de 0,1 a 0,15% do peso vivo, o que proporcionará um consumo de proteína bruta ao redor de 150 a 300 gramas de proteína por cabeça.dia-1.
Suplementos com menor teor de proteína bruta (30%) e com maior consumo, ao redor de 0,3 a 0,4% do peso vivo (proteinados de alto consumo), também são utilizados com o intuito de proporcionar maiores desempenhos. Este tipo de produto além de fornecer proteína e minerais, disponibiliza uma pequena quantidade de energia, com o intuito de aumentar o desempenho dos animais. Neste caso desempenhos ao redor de 0,4 kg por dia podem ser obtidos desde que não haja falta de forragem. Devido ao consumo mais elevado apresentado por proteinados de alto consumo, o teor de proteína bruta no produto poderá ser reduzido para um nível de 30%, proporcionando ingestão diária de PB ao redor de 300 a 500 g por cabeça suplementada. A ingestão de energia através do próprio suplemento poderá atingir até 1,0 kg de NDT por dia.
Outra modalidade, muito utilizada neste período é o fornecimento de suplementos protéicos e energéticos com 20% de PB e 70% de nutrientes digestíveis totais. Estes suplementos fornecidos na quantidade de 0,8 a 1,2% do peso dos animais por 60 a 90 dias, proporcionam um desempenho diário de 0,6 a 1,0 kg por dia.


5. Caracterização das principais modalidades de suplementos

Basicamente os suplementos utilizados para suplementação de pastagens podem ser classificados em 4 grupos:

a) Suplementos minerais
b) Suplementos minerais com uréia
c) Suplementos minerais/protéicos ou minerais protéicos/energéticos
d) Rações concentradas para semiconfinamento





A) Suplementos minerais

Os suplementos minerais são produtos caracterizados pela mistura de fontes de macro e microelementos minerais, ao cloreto de sódio que além de ser necessário para suplementação dos níveis de sódio (deficiente na planta forrageira), é o veículo para estimular o consumo dos outros elementos.
Os suplementos minerais devem ser formulados para conter em um único produto, quantidades suficientes tanto de macro, quanto de micro-elementos minerais, para atender as exigências das diferentes categorias animais. Todos os elementos devem estar contidos na fórmula que deverá ser disponibilizada à vontade, em cochos apropriados. A presença do cloreto de sódio (sal de cozinha ou sal comum) nestes suplementos é obrigatória uma vez que os animais não têm “sabedoria nutricional” para reconhecer qualquer outro tipo de deficiência, exceto a de sódio.
Dessa forma infere-se que o consumo do suplemento mineral está atrelado a necessidade do animal em consumir sódio, que serve como “veículo” para a suplementação dos outros elementos minerais.
Os macro-elementos minerais que necessariamente devem estar presentes nestas fórmulas além do sódio, são cloro, fósforo, cálcio, enxofre e magnésio. Quanto aos microelementos, que obrigatoriamente devem estar presentes nestas fórmulas, pois sua ausência poderá provocar a redução de produção animal ou desenvolvimento de sintomas carênciais, são o cobalto, cobre, iodo, manganês, selênio e zinco.
O ferro embora esteja presente em muitas fórmulas de suplementos, é desnecessário ser suplementado, devido ao elevado nível deste elemento em nossos solos que resulta em elevados níveis nos tecidos das plantas forrageiras. Outro elemento que apresenta níveis mais elevados na matéria seca das pastagens é o potássio. O potássio atinge níveis 2 a 5 vezes a exigência dos animais, dependendo do seu teor no solo, do manejo de adubação, da composição botânica das pastagens (presença de leguminosas), da época do ano e do estado fenológico da planta forrageira.
Outros elementos utilizados em produtos e programas de suplementação, com o apelo de melhorar o desempenho animal, muitas vezes são desnecessários. Estes elementos têm o seu uso racional, ligado a situações específicas, onde a presença ou não do elemento, poderá causar impacto sobre o resultado zootécnico da categoria suplementada, como é o caso do cromo. Geralmente a presença de cromo em suplementos apresenta diferencial, quando estes são fornecidos a animais em situações de estresse.
O fósforo por ser o elemento de maior custo, e por apresentar variação na sua exigência de acordo com a categoria a ser suplementada e de acordo com o teor na planta forrageira, geralmente varia numa faixa de 4 a 10% da fórmula, conforme descrito no item 4.1. A fonte mais utilizada na formulação de suplementos minerais é o fosfato bicálcico, que apresenta excelente absorção pelos animais, além de apresentar baixos níveis de flúor, constituindo-se a fonte mais segura para suplementação.
Os microelementos, como já foram descritos anteriormente geralmente deveriam encontrar em níveis de 50 a 100% das exigências dos animais, no entanto chegam a ser incluídos em níveis de 80 a 1000% das exigências em alguns casos, como o caso do cobalto, que chega a suprir 10 vezes a exigência dos animais. As formas sulfato são as mais indicadas para a inclusão nos suplementos minerais, por apresentarem elevada eficiência de absorção.
Atualmente muitos estudos vêm sendo realizados comparando formas inorgânicas de elementos minerais (sulfatos e óxidos) com formas orgânicas ou quelatos. Nestes estudos são avaliados os resultados zootécnicos e níveis dos elementos nos tecidos em que são armazenados (fígado para a maioria dos microelementos). PEREIRA (2002) realizou uma revisão dos trabalhos publicados e não observou diferença consistente que justifique a utilização de quelatos em suplementos minerais para ruminantes. Excetua-se neste caso o cromo, que quando incluído em uma fórmula, necessita que seja na forma orgânica, uma vez que na inorgânica este elemento não é absorvido.
Outra modalidade de produtos existentes para produção de suplementos minerais para animais em pastejo, são produtos conhecidos como “concentrados”. Esta classe de produtos é formulada com todos os macros e microelementos minerais, exceto sódio e cloro, que devem ser incluídos através da mistura do sal branco com o produto concentrado na fazenda. Para atingirmos resultados satisfatórios com o uso desta classe de produto, devemos estar atentos à relação de mistura recomendada pelo fabricante, destes suplementos concentrados com o cloreto de sódio; de forma que o nível de fósforo e microelementos minerais estejam adequados à exigência das diferentes categorias de bovinos, na mistura final.
Nos suplementos minerais temos a oportunidade veicular vitaminas, alguns nutrientes como gorduras poliinsaturadas protegidas da degradação ruminal e alguns aditivos como leveduras e produtos para sincronização de cio.
O uso de ionóforos deve ser analisado com cuidado, uma vez que a presença destes compostos, dependendo da origem da molécula, geralmente deprime o consumo do suplemento mineral, sem proporcionar consumo adequado do ionóforo e principalmente dos elementos minerais.
O consumo dos suplementos minerais deve variar entre 50 a 130 g de suplemento por unidade animal suplementada (animal de 450 kg de peso vivo). Este consumo é muito variável, pois depende do nível de sal comum na fórmula e também das condições da pastagem, tanto do ponto de vista de oferta de forragem (quantitativo), como do ponto de vista de qualidade da forragem ofertada. Para este grupo de produtos devemos disponibilizar de 3 a 5 cm de espaço linear de cocho.


B ) Suplementos minerais com uréia

Este grupo de suplementos foi desenvolvido para suplementar, além de todos os minerais, fonte de nitrogênio não protéico aos animais no período da seca. O objetivo de se incluir fonte de nitrogênio não protéico (NNP) nestes suplementos é corrigir o déficit de proteína bruta apresentada pela planta forrageira nas pastagens durante a seca.
A fonte de nitrogênio mais utilizado nestes produtos é a uréia pecuária, e conforme instrução normativa do MAPA a mesma deve ser incluída na fórmula a um nível mínimo de 15%, o que permite a obtenção de um produto com no mínimo 42% de equivalente proteína bruta.
Neste produto o teor mínimo de fósforo permitido pelo MAPA, da mesma forma que para os suplementos minerais, é de 4%. Neste caso o pecuarista preocupa-se mais com o teor de equivalente protéico no produto, pois sabe que o maior limitante à produção dos bovinos na seca é o teor de nitrogênio, ou proteína bruta, nas forragens. Assim, os produtos disponíveis no mercado, apresentam variação de 15 a 30% no teor de uréia, e geralmente 4% de fósforo na formula.
Além da uréia existem outras fontes de NNP como o fosfato monoamônio, grau alimentar, e o biureto. No entanto estes produtos são utilizados com menor freqüência da formulação de suplementos minerais com fontes de NNP, ou seja, com “uréia”.
O consumo destes suplementos aproxima-se muito do consumo dos suplementos minerais clássicos, exigindo o mesmo espaçamento de cocho. Algumas distorções podem ocorrer com o consumo excedendo a faixa prevista ou então consumo muito baixo e irregular. Esta situação de distorção de consumo poderá ser observada para o grupo dos suplementos minerais sem uréia (item A desta seção). Quando isto ocorre devemos nos certificar de uma série de fatores que podem estar contribuindo com estas distorções (MANZANO et al. 2006):

- disponibilidade e qualidade da forragem (estação do ano);
- fertilidade do solo e tipo de planta forrageira;
- espaço, localização e cobertura do cocho (manejo de cocho);
- teor de sal na água (água salobra);
- palatabilidade do suplemento mineral;
- forma física do suplemento;
- exigência dos animais;
- disponibilidade constante da mistura fresca.

Para maiores informações sobre fatores que interferem sobre o consumo de suplementos para animais em pastejo, o leitor poderá obtê-las em MANZANO et al. (2006).


C) Suplementos minerais/protéicos ou minerais protéicos/energéticos

Este grupo de produtos, conhecidos como misturas múltiplas, apresenta em sua composição macro; microelementos minerais, fontes de nitrogênio não protéico (uréia), fontes de proteína verdadeira (farelos de soja, amendoim, algodão, girassol) e em alguns casos alimentos energéticos como grãos e resíduos da agroindústria (casca de soja, farelo de trigo, farelo de glúten de milho 21, gérmen de milho).
Uma mistura mineral/protéica de boa qualidade deverá ser formulada com no máximo dois terços (66%) de todo o equivalente protéico fornecido pela uréia. Isto é importante para que fontes de proteína verdadeira, utilizadas na fórmula dos produtos, disponibilizem aminoácidos para que os microorganismos ruminais produzam fatores de crescimento, importantes para a manutenção e o desenvolvimento da microflora ruminal. Desta forma os microorganismos apresentam maior eficiência de digestão da forragem seca.
Nestes produtos os teores de elementos minerais, encontram-se em quantidades de 20 a 25% do que normalmente é inserido nas fórmulas de suplementos minerais e de suplementos minerais com uréia, devido ao consumo mais elevado das misturas múltiplas. Exceção deve ser feita ao sódio que muitas vezes é incluído em níveis de 50 a 100% do que se tradicionalmente se trabalha em suplemento minerais.
O sódio presente no sal comum (cloreto de sódio), além de ser exigido pelos animais, tem importante função de controlar o consumo das misturas múltiplas. Do mesmo jeito que o sódio é o veículo para os suplementos, sejam eles exclusivamente minerais ou minerais/protéicos, ele é o responsável pelo animal atingir a saciedade no consumo dos suplementos fornecidos no cocho. O sódio veiculado através do cloreto de sódio atua como controlador de consumo, sendo incluído de acordo com os outros componentes da fórmula.
A formulação de suplementos minerais/protéicos ou minerais/protéicos/energéticos com inclusão de ionóforos, permite a redução na inclusão de sal branco, pois o sabor amargo destes aditivos contribui para limitar o consumo das misturas múltiplas, permitindo redução no teor de cloreto de sódio na fórmula. O fornecimento de suplementos minerais/protéicos aos animais exige um espaço de 10 a 12 cm lineares por animal suplementado.
Como discutido anteriormente, dependendo da fórmula adotada, as misturas múltiplas poderão ser utilizadas desde o verão até o final do inverno. A escolha do produto dependerá de um conjunto de fatores, como o manejo da pastagem e o desempenho desejado, discutidos anteriormente.
Ressalta-se que quanto maior for o consumo do suplemento, maior será o desempenho animal e maior o investimento em suplementação. Este investimento certamente trará retorno, desde que o programa de suplementação seja concebido de forma estratégica. Uso de maiores quantidades de suplementos e/ou o uso de suplementos múltiplos no verão; quando a qualidade da planta forrageira permite respostas ao uso de misturas múltiplas; apresentam menor eficiência econômica quando comparado à suplementação com suplementos minerais/protéicos de menor consumo na seca. Esta menor eficiência econômica ocorre pela redução na conversão de suplemento em peso extra, obtido com a suplementação.
O planejamento de venda dos animais suplementados no verão na próxima seca, após um período de confinamento, quando o preço da arroba tradicionalmente atinge maiores patamares, é uma maneira de reduzir o risco de insucesso neste investimento, melhorando a relação custo benéfico da suplementação nas águas quando esta for indicada.
Quanto à utilização de suplementos minerais/protéicos/energéticos na seca, esta deverá ser direcionada para animais com peso vivo ao redor das 15@ (440 a 460 kg), apenas para garantir que os mesmos atinjam peso de abate com uma terminação melhor de carcaça ainda na estação seca, possibilitando ao pecuarista explorar o diferencial do preço da arroba, que ocorrerá no final da seca, além de antecipar o abate de alguns lotes de animais. Estes lotes se não receberem suplementos minerais/protéicos/energéticos, de maior consumo, atingirão acabamento apenas no final do ano quando o preço ainda é bom, mas não tão elevado como nos meses de outubro/novembro. Neste caso o espaçamento de cocho deverá ser de no mínimo 20 cm lineares por cabeça suplementada.


D) Rações concentradas para semiconfinamento

O Semiconfinamento é uma técnica que tem por objetivo a terminação de bovinos com peso inicial entre 14 e 15 arrobas na seca, com uso de ração concentrada e pastagem seca diferida no verão. Os animais são suplementados por 60 a 90 dias em função do desempenho esperado, do peso vivo inicial e do momento em que há expectativa de preços mais elevados.
Recomenda-se o fornecimento de 0,8 a 1,5% do peso vivo de um produto com 19 a 21% de proteína bruta com 69 a 71% de NDT na matéria original. Esta ração deverá ser fornecida diariamente de uma a duas vezes, pois os níveis de cloreto de sódio são baixos sem nenhuma ação de controle de consumo do suplemento.
No Brasil estima-se que 2,5 milhões de bovinos sejam terminados em sistema de semiconfinamento, sendo uma prática muito difundida em nosso meio, principalmente no centro oeste brasileiro onde encontra-se grãos e subprodutos a baixo custo viabilizando a atividade. O semiconfinamento é uma alternativa aos pecuaristas que não dispõem de estrutura para confinamento de animais e pode ser realizado com menor investimento em maquinários e instalações. O disponibilidade de cocho para o fornecimento de ração no semiconfinamento deverá ser de 50 a 60 cm lineares, de acordo com o tamanho dos animais a serem suplementados.


6. Considerações Finais

A maioria da carne produzida no Brasil é a partir de bovinos criados, recriados e terminados em pastagens. O confinamento de bovinos ainda apresenta pouca contribuição no total de animais abatidos no país, e quanto contribui, isto ocorre apenas na fase final (terminação).
O conhecimento da composição químico – bromatológica da planta forrageira ao longo do ano e das exigências nutricionais das diferentes categorias, requer uma visão multidisciplinar do sistema de produção. Ações de manejo podem alterar a composição da planta, permitindo mudança no tipo de suplemento a ser utilizado. A decisão pelo uso de um ou outro suplemento deve ser apoiada não só na exigência animal e na composição química da forragem, mas principalmente no sistema de produção e no valor da arroba ao longo do ano. Diferentes categorias poderão ser suplementadas com diferentes suplementos ao longo do ano, em função da estratégia do sistema de produção. O conhecimento de normas nutricionais e da planta forrageira é importante para que o pecuarista possa decidir pela aquisição das várias opções de produtos que encontram-se disponíveis no mercado.

Ricardo Pereira Manzano
Médico Veterinário
PhD em Nutrição Animal e Pastagens
Gerente de Produtos para Ruminantes
Guabi Nutrição Animal

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Proteinados
. Guabiphos 50 Secas DS
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