Bovinos de Leite

      Produtos
      Dúvidas Frequentes
      Depoimentos
      Palavra do Especialista
      Artigos
      Cadastre-se
  Animais de Criação Caseira
  Aves de Corte
  Aves de Postura
  Avestruzes
  Bovinos de Corte
  Camarões
  Caprinos e Ovinos
  Coelhos
  Eqüinos
  Minerais
  Peixes
  Suínos
  Notícias e Novidades
  Onde Encontrar
  Representante Guabi
  Downloads
  Área exclusiva - Lojista
 
 

Home - Rações Comerciais - Bovinos de Leite - Palavras do Especialista



Aqui você encontra artigos e dicas
importantes escritos por profissionais
especializados em saúde
e nutrição animal.

Importância do consumo de Ração inicial

Carla Maris Bittar Nussio
Pesquisadora Depto. Zootecnia ESALQ - USP

O principal objetivo na fase de aleitamento do bezerro é estimular o consumo de concentrado. Durante esta fase o animal desenvolverá o sistema de digestão próprio de ruminantes e, ao final, deverá estar apto a sobreviver e crescer apenas se alimentando de dieta sólida contendo concentrado e volumoso. A fase de transição de pré-ruminante para ruminante está relacionada ao desenvolvimento do rúmen, onde se estabelecerão bactérias amilolíticas num primeiro momento e depois celulolíticas e metanogênicas. Além do estabelecimento de bactérias que cumprirão o papel de fermentadores, o animal deve ter estruturas capazes de absorver e metabolizar os produtos finais dessa fermentação, ou seja um rúmen funcional, com papilas desenvolvidas. Na fase pré-ruminante, a dieta é basicamente líquida, o principal órgão digestivo é o abomaso, a fonte de energia é principalmente glucose e a protéica, totalmente proveniente da dieta. No ruminante, a dieta está na forma sólida, as fontes de energia são o AGVs e glucose proveniente de digestão intestinal, e a fonte protéica é composta de proteína microbiana e proteína sobrepassante. Durante a fase de transição estas duas situações se misturam e o manejo alimentar será determinante de uma transição mais lenta ou mais precoce.

O desenvolvimento de bezerros recém-nascidos à condição de ruminante funcional, envolve uma série de mudanças anatômicas e fisiológicas do aparelho digestivo (Beharka et al., 1998). Embora o desenvolvimento do aparelho digestivo desses animais seja inato, a idade do animal per se tem pouco efeito no desenvolvimento das papilas ruminais.

Ao nascer estes animais apresentam o retículo-rúmen pouco desenvolvido e não funcional, representando apenas 30% do total dos quatro compartimentos (Tabela 1). As maiores mudanças em termos de desenvolvimento vão ocorrer no retículo-rúmen, o qual será colonizado por diferentes tipos de bactérias e terá sua musculatura e parede interna (papilas) desenvolvidas, como também enzimas funcionais na parede do rúmen. Por volta de 3 a 4 semanas, dependendo da alimentação do animal, o retículo-rúmen passa a corresponder a 60% do total dos quatro compartimentos, enquanto que o abomaso somente a 27%. Um animal com mais de 12 semanas de vida, apresenta o sistema digestivo próprio de um ruminante, sendo o retículo-rúmen 85% e o abomaso apenas 7% do total dos quatro compartimentos.

Idade
Retículo-rúmen + omaso
abomaso
Nascimento aos 21 dias
30 %
70%
22 aos 56-84 dias
60%
27%
Mais de 84 dias
85% (s/ omaso)
7%

Adaptado de Crowley et al. (1991)

Para que o desenvolvimento do sistema digestivo do recém-nascido ocorra algumas condições devem ser atendidas: 1) estabelecimento de microrganismos no rúmen; 2) presença de líquido; 3) fluxo de material do rúmen para fora do rúmen; 4) capacidade de absorção do tecido; 5) substrato disponível.(Quigley (1996b).

Ao nascer, o rúmen de bezerros é totalmente desprovido de bactérias ou protozoários, característicos da população microbiana de ruminantes. Sua exposição a esta população durante e após a parição contribuem para a colonização do rúmen. O contato animal-animal parece ser o mais importante para o estabelecimento de microrganismos, embora as fontes sejam as mais diversas como a saliva da mãe, esterco, cama, ou leite e outros alimentos (Yokoyama &Johnson, 1988).

Trabalhos tentando avaliar a seqüência de estabelecimento de bactérias no rúmen de bezerros mostram que com 1 dia de vida, já pode ser encontrada uma grande quantidade de bactérias aeróbias. Este tipo de população se mantém em animais alimentados apenas de leite até que grãos sejam fornecidos, independentemente da idade do animal, sendo substituídas por bactérias anaeróbias. A atividade celulolítica aumenta gradualmente até a sexta semana de vida, quando alcança níveis de um ruminante adulto.

O adequado estabelecimento de microrganismos no rúmen e o processo de fermentação de substrato dependem da presença de água no meio. Somente em meio aquoso parte do alimento será solubilizado, possibilitando o início do processo fermentativo. A importância do fornecimento de água para bezerros desde os primeiros dias de vida tem sido demonstrada na literatura. A disponibilidade de água estimula o consumo de concentrado (Kertz et al., 1984), o qual é primordial para o desenvolvimento do rúmen e promove o aumento no consumo total de alimento (Thickett et al., 1981). O trabalho de Kertz e colaboradores (1984) demonstrou que bezerros com acesso restrito à água apresentam consumo de concentrado e desempenho 31% e 38%, respectivamente, menores que animais com água disponível.
O desenvolvimento do sistema digestivo também é dependente da habilidade deste se contrair, possibilitando o fluxo de fluído ruminal (produtos da fermentação + partículas não ou pouco fermentadas) e a regurgitação de material a ser remastigado. A atividade muscular do rúmen do recém-nascido é pequena, não sendo observadas contrações ou regurgitação. Quando alimento sólido é fornecido, contrações podem ser observadas em animais com 3 semanas de vida, e o hábito de remastigar, com apenas 1 semana (Van Soest, 1994).

Muitos trabalhos têm mostrado que o desenvolvimento de papilas, responsável pela absorção de produtos finais de fermentação, é dependente principalmente da presença de alimentos sólidos no rúmen, e conseqüente produção de ácidos graxos voláteis resultantes de fermentação (Quigley et al., 1996 a). Desta forma, o adequado desenvolvimento de papilas é resultado da ação de produtos de fermentação ruminal, além de estímulo físico causado pelo alimento consumido. Resultados de pesquisa indicam que o principal estímulo para o desenvolvimento do rúmen é a presença de ácidos graxos voláteis (Tamate et al., 1962; Murdock & Wallenius, 1980; Quigley et al., 1996 a). Dentre os principais AGV produzidos no rúmen, o ácido butírico é o mais importante em relação ao crescimento em número e tamanho de papilas, seguido pelo ácido propiônico; tendo o ácido acético pouca importância. A maior produção desses ácidos graxos voláteis ocorre com a fermentação de alimentos concentrados, com alto teor de carboidratos e proteína. Assim, a disponibilidade de concentrado para o animal desde a primeira semana de vida é indispensável (Anderson et al., 1987).

Já no início da década de 50 pesquisadores da Universidade de Cornell demonstraram a importância da dieta sólida para o desenvolvimento do rúmen quando observaram a regressão do desenvolvimento ruminal substituindo o fornecimento de dieta de grão e feno por leite em bezerros jovens já desmamados (Harrison et al., 1957). Mudanças neste compartimento são dinâmicas e altamente dependentes do tipo de dieta do animal. A troca de dieta composta principalmente de concentrado para aquela de forragem reduz o desenvolvimento papilar, epitelial e muscular. Adicionalmente, a completa retirada de alimento sólido leva ao total desaparecimento de papilas ruminais, regressão do tecido do compartimento ruminal e ausência de crescimento do mesmo. O crescimento de papilas ruminais foi mínimo em bezerros alimentados somente a base de leite, o qual não sofre fermentação ruminal, quando comparados com animais alimentados com alimento concentrado ou feno (Tamate et al., 1962).

Beharka e colaboradores (1998) demonstraram o efeito da forma física da dieta no desenvolvimento anatômico, microbiano e fermentativo do rúmen de bezerros recém-nascidos. Oito bezerros holandeses foram canulados no rúmen aos 3 dias de vida sendo alimentados com dieta moída ou não, composta de 25% de feno de alfafa e 75% de concentrado. Animais alimentados com a dieta não moída apresentaram menor consumo. O pH ruminal decresceu após 2 semanas de vida e voltou a aumentar após a 10ª semana, sendo influenciado pela forma física da dieta. O pH ruminal foi menor (P<0,01) para bezerros recebendo dieta moída na 4ª e 6ª semana de vida. A concentração total de AGV aumentou de forma significativa com a idade animal e apenas tendeu (P=0,12) a ser superior para bezerros alimentados com dieta moída. Assim sendo, os menores níveis de pH ruminal destes animais não podem ser atribuídos às maiores concentrações de ácidos graxos. Os autores especulam que provavelmente animais recebendo dieta não moída apresentaram o epitélio ruminal mais desenvolvido e capaz de absorver maiores quantidades de AGV. A concentração de NH3N reduziu com a idade animal indicando aumento na atividade microbiana neste compartimento e, conseqüentemente, utilização desta fração, ou aumento na absorção na parede ruminal. Bezerros recebendo dieta moída apresentaram população numericamente maior de bactérias anaeróbia, indicando um maior desenvolvimento ruminal. Estes animais apresentaram também menor contagem de bactérias celulolíticas e maior de amilolíticas que bezerros alimentados com dieta não moída. Apesar de algumas alterações no padrão de fermentação, a forma física da dieta não alterou o peso cheio e vazio do retículo-rúmen e abomaso dos animais. Entretanto, bezerros alimentados com dieta moída apresentaram maior peso cheio e vazio do omaso, provavelmente como consequência de maior passagem de partículas do rúmen para este compartimento.

Durante muito tempo acreditou-se que o fornecimento de feno ao bezerro em aleitamento fosse indispensável, devido ao estímulo físico para o desenvolvimento de papilas. Contudo, quando material inerte ou esponjas foram fornecidos à pré-ruminantes, observou-se que somente o estímulo físico não é suficiente para um desenvolvimento adequado. O fornecimento deste tipo de material não resulta no início do desenvolvimento epitelial e sim na expansão e crescimento muscular e capacidade do rúmen (Huber, 1969). O fornecimento de forragem é importante para o crescimento da camada muscular do rúmen e para manutenção de epitélio ruminal saudável, capaz de absorver AGV, mas não estimula o desenvolvimento de papilas (Lydorf Jr., 1988).

O consumo voluntário de feno é muito reduzido até aproximadamente 6 - 7 semanas de idade e, como a maior parte do feno disponível tem baixa energia para bezerros, se recomenda seu fornecimento somente após a desmama (Quigley, 1996b) ou a partir de 6ª ou 7ª semana caso a desmama seja tardia. Klein et al. (1987) demonstraram que a inclusão de feno na ração inicial de bezerros não afetou de forma positiva o desenvolvimento do rúmen ou o desempenho desses animais. Quigley et al. (1992a) observaram que o fornecimento de feno para bezerros, após a desmama com 8 semanas de vida, reduziu os níveis de corpos cetônicos (Betahidroxibutirato e Acetoacetato), provavelmente pela redução na produção de ácido butírico no rúmen. Se o fornecimento de feno fosse realizado antes da desmama as custas do fornecimento de concentrado, acarretaria no atraso no desenvolvimento do rúmen graças à menor produção de butirato.

Para ver fotos demonstrando o efeito da dieta no desenvolvimento ruminal acesse:
http://www.das.psu.edu/dcn/calfmgt/RUMEN/index.htm

Versão para Impressão

 
  LEIA TAMBÉM - OUTRAS PALAVRAS DE ESPECIALISTAS
Importância do consumo de Ração inicial

 páginas: 1


palavra chave:
segmento:

  Grupo de Produtos

Lactage
. Rumina Starter
. Rumileite
. Lactage Novilha 20
. Lactage Pré-Parto
. Lactage GP 22
. Lactage Mix 27
. Lactage 20 F/P
. Lactage 22 F/P
. Lactage 20 Buffer F/P
. Lactage 40 Concentrado
. Lactage Active
Tiraleite
. Tiraleite Active F/P
. Tiraleite Select F/P
Expoleite
. Rumina 18P
. Expoleite Novilha 18
. Expoleite 20 AE F/P
. Expoleite 22 AE F/P
. Expoleite 20 F/P
. Expoleite 22 F/P
. Expoleite 24 F/P
. Expoleite 20 Torneio F/P
Suprileite
. Suprileite 22 F/T/P
. Suprileite 24 F/T
Bezerrão 16P
. Bezerrão 16P
Guabi Power Mix
. Guabi Power Mix
Guabiphos
. Guabiphos Lactage Protéico
. Guabiphos Lactage Gold
. Guabiphos Lactage 95
. Guabiphos 80 Leite
Ruminúcleos

Que outras novidades você gostaria de ver no site da Guabi?




HOME  | EMPRESA  | CANAL RC  | GUABI NA MIDIA  | PRODUTOS  | CADASTRE-SE  | FALE CONOSCO
Política de Privacidade - © 2005 Grupo Guabi - Todos os direitos reservados.