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Home - Rações Comerciais - Camarões - Palavras do Especialista



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O Ressurgimento da Ração Extrudada para Camarões

Artigo originalmente publicado na Global Aquaculture Advocate de Junho 2004

As rações para camarões estão entre as mais caras do setor de aqüicultura, principalmente por que esse tipo de ração deve ter alta estabilidade na água. O camarão localiza a ração exclusivamente pelo olfato e sabor e não pela visão. Ao contrário dos peixes, o camarão requer minutos ou horas para localizar a ração após esta ter sido distribuída nos viveiros.
Durante a imersão, os peletes perdem , através de lixiviação permanente, nutrientes e aditivos que atraem os camarões. Após localizar a ração os camarões a trituram externamente para poder ingerir através de suas bocas pequenas. Isso resulta em perdas adicionais por lixiviação logo antes da ingestão.

A importância da Estabilidade na Água.
Pesquisas demonstram que 20% da proteína bruta, 50% dos carboidratos e 50% do teor de vitaminas das rações de camarões podem ser perdidos antes da ingestão. Atrativos são adicionados para reduzir o tempo necessário para o camarão localizar a ração. Além disso, os produtores de rações lutam para melhorar a integridade física dos peletes através do uso de aglutinantes e de técnicas avançadas de produção.
O uso de aglutinantes nutritivos e não nutritivos é comum nas rações de camarões. Um dos aglutinantes nutritivos é o amido dos grãos como o do trigo ou do arroz. Proteínas vegetais ou animais não cozidas tais como gelatina, caseína, plasma de sangue e glúten de trigo são aglutinantes bastante eficientes. Alguns exemplos de aglutinantes não nutritivos são os produtos de gel hidrocolóide como o alginato e a carragenina, compostos de lignina, argilas e polímeros.

O papel do amido gelatinizado
O amido, principal aglutinante usado nas rações de camarões, precisa ser cozido para ativar sua função aglutinadora. Os grânulos de amido incham na presença de água e calor, perdendo sua estrutura cristalina e hidratando-se em um processo conhecido como gelatinização. O estudo de 1995 sobre as “Propriedades Físico-Químicas das Rações de Camarão Peletizadas com várias farinhas de Trigo” conduzido por G. H. Ryu e colaboradores na Kansas State University, nos Kansas, EUA, demonstrou uma correlação de 89% entre o nível de gelatinização do amido e a estabilidade na água de 10 rações asiáticas para camarões. Na presença de umidade acima de 63%, a maioria dos amidos se gelatiniza totalmente a temperaturas entre 55-85° C. Todavia, como a umidade e o tempo de cozimento da produção de ração comercial são limitados, a gelatinização completa não ocorre dentro dessa faixa de temperatura. São necessários temperatura e pressão mais elevados.

Avanços na Peletização de Ração para Camarões.
Na produção de rações peletizadas convencionais para animais terrestres, apenas cerca de 20% do amido é gelatinizado. Isto explica porque rações peletizadas para aves se desintegram totalmente na água após alguns minutos de imersão.
Os produtores de ração melhoram a estabilidade utilizando farinha de trigo como aglutinante, em grande parte por que o amido de trigo possui temperatura de gelatinização mais baixa do que do milho, arroz, sorgo e outros grãos. O teor de glúten e o tamanho das partículas finas da farinha de trigo também ajudam no processo de aglutinação.
Além disso, os sistemas para peletização de ração de camarões utilizam técnicas avançadas de produção, como moagem fina das matérias primas, vários condicionadores a vapor, altos níveis de umidade, altas taxas de compressão, pós-condicionamento e secagem. Estas técnicas aumentam a gelatinização do amido para taxas entre 50 e 60%, mas não existe mais possibilidade de melhoras. Além disso, este sistema de produção é muito caro e muito dependente da qualidade da farinha de trigo.

Rações extrusadas ressurgem
A extrusão é um processo que usa alta temperatura e pressão por um curto período de tempo. Este processo foi desenvolvido na década de 1930 para produção de macarrão, depois foi modificado para produzir alimentos para cães, gatos e peixes, além de alimentos para humanos como flakes, cereais matinais, salgadinhos e balas.
O processo de extrusão começa com o pré-condicionamento da mistura usando vapor e água para se formar uma massa quente e úmida. A massa é colocada no canhão de extrusão e transportada para a outra extremidade através de uma rosca sem-fim, que produz grande aumento de temperatura pela fricção. A ração sai da extrusora através de uma placa perfurada que produz aumento da pressão e define o formato do pelete. A medida que a ração vai saindo desta placa uma faca rotativa corta os peletes no comprimento desejado. Este processo permite produzir dietas com larga variação de níveis de gordura, densidade, formatos e tamanhos.
Rações extrusadas para camarões são fabricadas desde os anos 70, no entanto não se difundiram muito devido a tendência de expansão que apresentam os produtos extrusados, levando a flutuação, que é indesejável para camarões. A expansão aumenta à medida que diminui o diâmetro do molde. Para diminuir a flutuabilidade, os formuladores são obrigados a limitar a inclusão de amido, o que leva ao aumento de custo das matérias-primas.
Estas restrições parecem ter sido superadas pelos recentes avanços da tecnologia de extrusão, tais como o ajuste no desenho e velocidade da rosca, mudanças na configuração do molde e produção de vácuo no canhão. Isto tornou possível a produção de rações extrusadas para camarão que afundam 100% com densidade parecida com a das rações peletizadas.

Vantagens da Ração Extrusada para Camarões
Apesar de as rações extrusadas para camarões serem cerca de US$ 10/T mais caras do que as peletizadas, elas permitem uma economia de US$ 20-50/T em despesas com matéria- prima. Existe possibilidade de se economizar entre US$ 10 e US$40/T.
A redução de custo de matéria-prima é obtida através da substituição dos altos níveis de farinha de trigo por níveis mais baixos de amido mais barato . Isto é possível devido à umidade elevada, a temperatura e pressão dentro das extrusoras que levam à gelatinização quase total de amidos (Tabela 1). O cozimento mais completo das rações extrusadas também aumenta a digestibilidade da energia e promove maior destruição de possíveis contaminações bacterianas do que nas rações peletizadas.

Tabela 1. Condições de processamento de rações peletizadas e extrusadas para camarões

Condições
Peletização
Extrusão
Umidade (%)
15-18
25-33
Temperatura (°C)
85-95
120-140
Pressão (atm)
1
5-8
Gelatinização (%)
50-60
80-95


Além disso, o processo de extrusão possui potencial considerável para melhoria no futuro. As rações extrusadas utilizam, por exemplo, níveis relativamente mais elevados de umidade, durante o processamento, que podem ser adicionados na forma de aditivos que melhoram o sabor e a palatabilidade, tais como solutos de peixes e resíduos enzimáticos de resíduos de pescado marinho. Estas possibilidades oferecem potencial para produzir uma nova geração de rações para camarões altamente palatáveis sem depender de proteínas marinhas de alto custo como as de lula e de krill.
A taxa de expansão das rações extrusadas também pode ser trabalhada para oferecer rações com diferentes graus de dureza. A expansão é uma função da fragmentação do amido conhecida também como dextrinização, que pode ser controlada pelo grau de quebra exercido pela rosca extrusora.

Desempenho das Rações Extrudadas
Em uma pesquisa de 12 semanas realizada em 2000 por Albert Tacon e colaboradores no Oceanic Institute no Hawaii, EUA, comparou o desempenho de Litopenaeus vannamei que receberam a mesma dieta processada por peletização ou extrusão em dois tamanhos. As rações teste foram administradas em aquários que simulavam densidade de 50 camarões/m2. Os resultados, que foram publicados na edição de fevereiro de 2003 da Global Aquaculture Advocate, mostram maior sobrevivência, maior ganho de peso e melhor eficiência alimentar para as dietas extrusadas (Tabela 2). Estes resultados estão sendo validados em condições de campo na Coréia, Malásia e no Brasil.

Tabela 2. Desempenho de Litopenaeus vannamei alimentados com a mesma dieta preparadas por peletização e extrusão em dois tamanhos.

Parâmetro
Peletizada
Extrusada 1,6 mm
Extrusada 2,4 mm
Sobrevivência (%)
75,0
88,9
88,9
Peso final (g)
7,11
8,17
8,35
Ingestão diária (g)
0,21
9,19
0,19
Taxa de Conversão Alimentar
2,96
2,25
2,23
Taxa de eficiência protéica (%)
17,8
24,5
22,3
US$/kg de camarão
3,08
2,34
2,32


Efeitos negativos associados com a destruição da lisina pela reação de Maillard, o escurecimento devido à interação de açucares simples com aminoácidos podem ser evitados pela exclusão de açucares das fórmulas a serem extrusadas. A perda de vitaminas, que pode ser ligeiramente superior à aquela que acontece na peletização, pode ser facilmente corrigida com um pequeno aumento nos premixes.

Conclusão
Os avanços recentes no processo de extrusão permitem a produção de ração sofisticada, que afunda totalmente, com custo menor e melhor desempenho que rações tradicionais peletizadas. Estas vantagens devem ficar mais evidentes à medida que forem mais desenvolvidas as técnicas de maior adição de líquidos, maior controle da expansão e maior pasteurização.

Por George W. Chamberlain, Ph.D.
Presidente da Global Aquaculture Alliance
5661 Telegraph Road, Suite 3A
St. Louis, Missouri 63129 USA
georgec@integra.prserv.net
Tradução: João Manoel Cordeiro Alves

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