Caprinos e Ovinos

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Home - Rações Comerciais - Caprinos e ovinos - Artigos




Informações importantes e úteis
para você entender ainda mais
sobre nutrição animal.


Manejo e Alimentação de cordeiros p/ abate precoce

Em qualquer sistema de produção agropecuário a meta principal é a produtividade com lucratividade. Para isto devemos nos basear em quatro pontos importantes para o sucesso da ovinocultura: mercado, genética, saúde e nutrição.
Destes quatro pontos iremos explorar um a um de forma a propiciar aos interessados uma conjunto de informações úteis para tomada de decisões importantes ao planejamento da ovinocultura. Este texto não tem a pretensão de ser um modelo de exploração da ovinocultura nacional, porém deseja fornecer subsídios para auxiliar os interessados em criar ovinos em sistemas de produção mais intensificados tomarem certas decisões.

MERCADO
A produção de carne ovina no centro-sul brasileiro é insuficiente para atender a demanda do mercado, de forma que atualmente o Brasil é um importador de carne ovina de tradicionais produtores como a Argentina, Uruguai e Nova Zelândia entre outros. Entretanto nossa extensa área territorial, com extensas áreas de pastagens, nos permitiria ser um exportador de carne ovina para atender o mundo como já estamos fazendo com a carne bovina, suína e de aves.
Atualmente em função da incapacidade de atender a demanda do mercado interno, o preço do quilo da carne de ovinos posiciona-se ao redor de R$ 3,00 a R$ 4,00/kg vivo. Isto leva-nos a calcular um preço de R$ 90,00 a R$ 120,00/arroba produzida. Preço que é de 50 a 100% superior ao preço pago pelos frigoríficos no estado de São Paulo por uma arroba bovina.
Aliado ao bom preço devemos considerar o ciclo produtivo relativamente curto quando comparado ao ciclo de produção da carne bovina, principalmente quando os outros 3 pontos, genética, saúde e nutrição, são bem manejados dentro do sistema de produção.

GENÉTICA
No Brasil podemos contar com mais de 10 opções de raças para corte, todas com importantes características para serem exploradas dentro dos diferentes sistemas de produção adotados no território nacional. Entretanto vamos discutir algumas caracterísitcas mais importantes e direcionadas ao sistema de produção de ovinos superprecoces.
Quando pensamos em produzir animais superprecoces, características relacionadas a crescimento, conversão alimentar, musculosidade, acabamento de carcaça e rusticidade são importantes quando da escolha de uma raça paternal, enquanto características ligadas a fertilidade, prolificidade, rusticidade, produção de leite e principalmente capacidade de reprodução o ano inteiro, devem ser consideradas na escolha da raça maternal.
Dentre as características que devem ser levadas em conta na escolha de uma raça maternal, a capacidade de se reproduzir o ano inteiro deve receber atenção especial em função da demanda pela carne ovina ser constante ao longo do ano, de forma que o produtor de cordeiro superprecoce deverá ter ocorrência de partos bem distribuídos ao longo do ano no rebanho, permitindo abates contínuos sem risco de deixar o consumidor desabastecido.
Neste quesito devemos considerar a raça Santa Inês, que ao contrário da maioria das raças ovinas que são poliéstricas estacionais, apresenta cio o ano inteiro desde que não limitada por condições de baixo nível nutricional.

NUTRIÇÃO
Conforme já exposto acima no início do texto, após definirmos a genética, devemos nos concentrar na alimentação dos animais, pois por melhor que seja a composição genética do rebanho que passa a ser estabelecido, a não observação de um manejo nutricional adequado irá impedir o aproveitamento pleno da genética adquirida.
Desta forma alguns itens deverão ser considerados quando discutimos nutrição. Primeiramente devemos ficar atentos ao planejamento da produção forrageira da propriedade, de forma a maximizar a produção e utilização das pastagens no verão, além de produzir volumosos de forma eficiente e economicamente viável para suplementação do rebanho nos meses de inverno, período em que ocorre a redução da capacidade produtiva das pastagens.
Neste contexto devemos considerar a necessidade de suplementação das matrizes com volumosos, para suprir a queda de produção das pastagens, e de confinamento dos cordeiros para acabamento e abate. Nas duas situações a utilização de rações com 18% de proteína bruta e alta energia deverá ser considerada para atender as exigências nutricionais destas categorias.

Creep-feeding
A produção de cordeiros superprecoces depende da exploração do elevado potencial de crescimento dos cordeiros, de forma que nenhum fator nutricional e/ou sanitário seja limitante à expressão máxima do potencial genético dos animais.
Desta forma o uso da técnica de creep-feeding, consiste em um manejo que visa suprir os cordeiros com ração de alto valor nutritivo, com 19% de proteína bruta e alta energia, adequada para alevar o desempenho destes animais, para que não sofram com a desmama precoce (ao redor de 45 a 60 dias de idade), sendo a maioria destes cordeiros abatidos após 30 dias de confinamento, com idade média entre 75 a 90 dias.
Outro benefício do creep-feeding, refere-se a rápida reconcepção das matrizes, que são menos exigidas pelos cordeiros, além de sofrerem o desmame antecipado quando comparado ao manejo normal. Assim podemos conseguir até dois partos por ano em algumas matrizes do rebanho.
Uma observação importante para quem adota o sistema de creep-feeding é que os cordeiros devem mamar a vontade, e por isso atenção deverá ser dada à nutrição das matrizes que deverão ter a sua diposição pastagens de boa qualidade e com excelente disponibilidade no verão, ou volumoso de boa qualidade no inverno. Uma suplementação com ração com 18% de proteína bruta e alta energia, sempre deverá ser considerada durante a lactação, principalmente quando os partos são gemelares, para sustentar uma produção de leite adequada para garantir que os animais sejam desmamados com peso ao redor de 15 a 18kg, para que sejam confinados e rapidamente abatidos.

CONFINAMENTO
Para a produção de animais superprecoces o ganho de peso individual em confinamento deve ser ao redor de 200 a 300 gramas/dia para que os animais cheguem rapidamente ao peso de abate, com um bom grau de acabamento de carcaça. Assim a utilização da silagem de milho passa a ser determinante como volumoso, uma vez que este é o volumoso de maior valor nutritivo dentre as opções brasileiras. O fornecimento de uma dieta composta por 40% de silagem de milho e 60% de ração, com 18% de proteína bruta com alta energia, garantirá um desempenho conforme exposto acima.
Além da relação volumoso:concentrado e da qualidade dos alimentos com relação à proteina e energia, a picagem do volumoso é de suma importância para garantir boa digestibilidade e consumo de matéria seca. Desta forma recomenda-se um tamanho médio de partícula do volumoso inferior a 5 mm, e o fornecimento de ração na forma peletizada, o que melhora a digestibilidade da dieta, aumenta a taxa de passagem, maximizando o cosnumo de matéria seca que se refletirá em bons ganhos de peso, com boa conversão alimentar.
Sugerere-se um período de confinamento de 30 a 40 dias, com 10 dias de adaptação, momento em que altera-se a relação volumosos:concentrado de 70:30 para 40:60.

SANIDADE
Com a intensificação dos sistemas de produção de carne ovina, os desfios sanitários passam a adquirir maior importância. Dentre os principais, podemos citar alguns como as verminoses, urolitíase nos machos, intoxicação por cobre e toxemia da prenhez em ovelhas gestantes.
Todas estas doenças poderão ser controladas desde que conhecimentos prévios de sua etiopatogenia sejam de domínio dos ovinocultores. Entretanto para alguns, estes conhecimentos ainda são de pouco domínio, o que nos estimula a discutí-los nesta seção de uma forma sucinta e obejtivam, recomendando algumas formas de manejo para reduzir a incidência destas patologias sobre os rebanhos.

VERMINOSE
Dentre as espécies de mamíferos domésticos, a espécie ovina é a mais suceptível à infestção por vermes. Dentre as diferentes espécies de vermes que infestam os ovinos, devemos dispensar especial atenção aos indivíduos da espécie Haemonchus contortus. Este parasito aloja-se no abomaso (estômago químico) dos ovinos, e exerce uma ação espoliadora sobre o hospediero, sugando sangue e levando os ovinos infestados a desenvolverem um quadro de anemia intensa, hipoproteinemia, e na maioria dos casos, quando os animais não são atendidos a tempo, a infestação leva os ovinos a morte.
O diagnóstico é feito pela observação das mucosas que apresentam-se esbranquiçadas ou então quando observamos um edema na região da mandíbula (queixo) dos animais ou em outras regiões baixas no corpo o animal, juntamente com aparecimento de surtos de diarréia.
A melhor forma de se evitar os prejuízos causados pela infestação por vermes é a prevenção através do uso de vermífugos em intervalos de tempo constantes, intercalando-se os diferentes princípios ativos presentes no mercado, juntamente com as mudanças de piquetes (manejo das pastagens).

URILITÍASE NOS MACHOS
Os animais ruminantes como os ovinos apresentam urina com pH ligeiramente alcalino, devido ao seu hábito alimentar. Este pH favorece a precipitação de cristais de fósforo na urina, que se agregam e formam cálculos renais que apresentam dificuldade de serem excretados por animais do sexo masculino, devido ao formato antômico da uretra destes animais. Em sistemas de produção de animais superprecoces a situação agrava-se, pelo elevado consumo de fósforo devido a alta ingestão de alimentos concentrados (rações), e baixa ingestão de volumosos, que reduz a relação cálcio/fósforo da dieta, aumentando a excreção de fósforo pela urina.
Desta forma a utilização de rações com aditivos que propiciam a alteração do pH urinário dos animais diminui as chances de aparecimento de casos de cálculo renal.


INTOXICAÇÃO POR COBRE
Os ovinos são os mais predipostos entre todas as espécies domésticas, a apresentarem a intoxicação cúprica. Isto está ligado à menor capacidade de excreção do cobre pelo fígado destes animais. Como fatores predisponentes a intoxicação por cobre, podemos citar a raça, idade e sexo.
Dentre as raças mais suceptíveis a intoxicação podemos citar a Sulfolk e a Texel. Animais mais jovens podem ser quatro vezes mais suceptíveis que animais adultos a intoxicação por cobre. Quanto ao sexo registra-se maior incidência de intoxicação por cobre em fêmeas do que em machos.
Podemos ter dois tipos de intoxicação: forma aguda e a forma crônica. A forma aguda aparece quando elevados níveis de cobre ( 500 ppm) são ingeridos, inlcusive com a morte súbita dos animais. Entretanto isto só irá ocorrer mediante a acidentes de manejo como ingestão de água de pé de lúvio com sulfato de cobre.
Geralmente iremos nos deparar com casos de intoxicação crônica, que ocorre por ingestão prolongada de 12 ppm ou mais de cobre na diéta. O cobre se acumula no organismo dos animais até aque atinge níveis suficientes para iniciar alterações clínicas nos animais. Casos de intoxicação crônica ocorrem quando minerais e rações formulados para bovinos são utilizados na alimentação de ovinos, ou quando estes animais recebem alimentos ricos em cobre como a cama de frango, fezes de poedeira, ou então quando são manejados em pastagens irrigadas com chorume de suínos (esterco líquido de suínos).
Deve ficar claro que os ovinos embora sejam mais suceptíveis a intoxicação por cobre, não devem sofrer completa retirada deste nutriente da dieta. O não fornecimento de níveis mínimos de cobre aos ovinos, poderá levar à manifestação de casos de deficiência.


TOXEMIA DA PRENHEZ
A toxemia da prenhez é uma doença que acomete ovelhas no terço final de gestação, quando estas desenvolvem gestações múltiplas com 2 ou 3 fetos, determinada por nutrição inadequada durante este período da gestação. Geralmente isto ocorre devido a uma excessiva mobilização de gorduras a partir do tecido adiposo das ovelhas, em consequência da baixa ingestão de energia por estes animais. Este excesso de gordura ultrapassa a capacidade do fígado em metaboliza-la, formando corpos cetônicos responsáveis por alterações patológicas no sistema nervoso central dos animais.
Uma forma de evitar a manifestação desta doença é a identificação dos animais com gestações gemelares, e iniciar uma suplementação alimentar com uso de rações com alta energia e 18% de proteína bruta. O fornecimento da ração tem como objetivo reduzir o déficit energético dos animais, causado pela maior demanda de nutrientes, especialmente energia, em função da gestação múltipla, e agravada pela menor ingestão de alimentos pelo efeito físico do útero sobre o sistema digestivo, quando comparado a animais que possuem gestação unitária.

Ricardo Pereira Manzano
Médico Veterinário, PhD em Ciência Animal e Pastagens ESALQ/USP
Gerente de Produtos - Ruminantes
Guabi Nutrição Animal

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