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Informações importantes e úteis
para você entender ainda mais
sobre nutrição animal.


Estratégias para o inverno

A mudança mais fácil de ser observada, com a chegada do inverno, é a queda da temperatura, especialmente à noite. Mais grave do que as temperaturas baixas são as variações durante o dia, muitas vezes maiores que 5°C entre a máxima e a mínima. No entanto, outras mudanças importantes acontecem no período de inverno e em algumas regiões, dependendo da espécie cultivada, o abaixamento da temperatura é o menos importante.

Temperatura
Nos preocupamos com a temperatura por que sabemos que os organismos aquáticos são pecilotérmos (sangue-frio), ou seja: a temperatura do corpo é parecida com a temperatura do ambiente, sendo ligeiramente superior devido a produção de calor pelos músculos e outras atividades.
Cada 10C de aumento na temperatura dobra a velocidade das reações químicas; o inverso também acontece: quando a temperatura cai a velocidade das reações químicas também cai. A vida depende de reações químicas (bioquímicas), por isso que os animais pecilotérmos (peixes, crustáceos, moluscos, insetos, répteis, etc.) crescem melhor e têm mais saúde quando a temperatura é maior, desde que dentro da faixa de conforto térmico.
Além da temperatura mudam o comprimento do dia (quantidade de horas de luz), a quantidade de água, a posição do sol, ocorrem ventos frios, a água estratifica e a atividade de microorganismos pode aumentar.

Quantidade de água
Nosso inverno é caracterizado por ser seco, também é chamado de estação da seca, ocorrem poucas chuvas e a água do subsolo, que abastece a maioria das aquaculturas, vai diminuindo e tem seu momento crítico assim que começam as chuvas, por volta de setembro, outubro.

Estratificação da água
Os ventos frios são os principais causadores de abaixamento de temperatura da água. A mudança brusca da temperatura na superfície provoca um fenômeno chamado estratificação, caracterizado por faixas de água com temperaturas diferentes, normalmente água mais fria na superfície. Este fenômeno é comum em lagos naturais com profundidade maiores que 5m, mas pode ser bastante prejudicial em viveiros. Em cultivos em tanque-rede em lagos com alta profundidade é importante ficar atento para esta ocorrência, pois pode haver carreamento de nutrientes do fundo para a superfície, provocando mortalidades.

Posição do sol
O ângulo que o sol forma com a Terra tem grande influência sobre o comportamento da temperatura da água e dos peixes. Existem viveiros que tomam mais sol que outros e por isso têm temperatura ligeiramente mais alta, o que pode fazer a diferença entre comer ou não, entre comer e crescer ou comer e não crescer, ou ainda entre morrer ou não. Além da temperatura a luminosidade tem interferência no apetite dos peixes. Viveiros que estejam do lado mais ensolarado deverão receber peixes menos resistentes ao frio e que gostem mais de luz (matrinxã), ao passo que peixes como o pacu, ou carpas poderão ficar em viveiros no lado menos ensolarados, pois resistem mais ao frio e preferem se alimentar em horários menos iluminados.

Atividade de microrganismos
Ao contrário do poderíamos pensar, alguns microrganismos têm seu crescimento inibido por altas temperaturas. Desta maneira, temperaturas mais amenas do inverno podem estimular o crescimento provocando altos consumos de Oxigênio, liberação de gases e ataques aos peixes, que estarão menos resistentes devido ao frio.

Sabendo destas possibilidades devemos nos antecipar e tomar algumas medidas simples, mas de grande valia para diminuir os efeitos negativos do inverno. As principais são:

Alimentação adequada
Todos sabemos que a saúde entra pela boca, portanto é preciso fornecer alimento em quantidade, qualidade e forma adequadas para que os peixes demonstrem todo o seu potencial de crescimento, resistência ao manejo, variações do ambiente e doenças, além devolver ao produtor os resultados esperados com economia de ração.
Nas criações comerciais as rações são a única fonte de nutrientes e, por isso devem conter todos os nutrientes necessários para o desempenho esperado (exigência nutricional). É preciso ainda que estes nutrientes estejam de forma facilmente assimilável pelos peixes (digestibilidade), que a ração seja atraente (palatabilidade) e oferecida em tamanhos adequados à cada fase da criação. Assim, os peixes estarão nutridos e as excreções serão minimizadas, preservando a qualidade da água.

Limpeza dos viveiros
Normalmente, os produtores reservam o períodos seco para fazer a limpeza e reforma de viveiros, mas o ideal que este trabalho seja feito um pouco antes, com algumas vantagens:
- ainda há água em quantidade para a limpeza e enchimento dos viveiros, não tendo que esperar chover
- remoção do sedimento que, ao ser decomposto por fungos e bactérias irá consumir Oxigênio, além de ser fonte de doenças
- quando esquentar e o apetite dos peixes voltar, estes já estarão devidamente alojados no viveiro onde irão continuar seu crescimento

Adequação dos estoques de peixe, conforme:
- tamanho e espécie – os peixes devem ser divididos em grupos homogêneos que tenham o mesmo comportamento e exigências alimentares
- finalidade dos peixes – peixes que estão prontos para comercialização devem ser estocados separados daqueles que ainda precisam ganhar algum peso. Se aparecer alguma oportunidade de negócio para os peixes prontos e estes estiverem misturados com peixes menores, ou de outras espécies e a temperatura baixa não permitir a colheita ou se perde o negócio ou se corre o risco de maltratar os peixes que irão ficar. De qualquer modo haverá algum prejuízo.
- resistência ao frio – peixes que resistem ao frio não devem ser estocados com peixes com menor resistência por que terão comportamento diferente, uns irão ter apetite e atividades ao passo que o outro grupo estaria melhor se fossem deixados quietos.
- exigência de Oxigênio – peixes que suportam baixos teores de O2D podem ser estocados em maiores densidades, desta maneira podemos administrar melhor a falta de água.

Limpeza dos canais de entrada de água
No fim do verão os canais, normalmente, estão cobertos por vegetação que produzem sombra e dificultam o fluxo de água. É importante que o sol aqueça a água e não haja impedimento para a água correr facilmente, já que há falta nesta época. É comum que a limpeza do canal, evitando a sombra, aumente a temperatura da água dos viveiros e os peixes voltem a se alimentar.

Controle do fluxo de água
Quanto menos água entrar no viveiro, durante o período de inverno, melhor. A água do viveiro passa o dia todo tomando sol e se aquecendo. A água que entra, normalmente é mais fria que a que está no viveiro, por isso é preciso medir as temperaturas diariamente e deixar entrar somente a água necessária para que não haja falta de Oxigênio para os peixes.

João Manoel Cordeiro Alves, M.Sc.
Gerente de Produtos Aquacultura
Guabi

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